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Gerenciar, ajudar ou servir? Reflita sobre …

Para ajudar você a refletir sobre a sua atuação, ações e relações com os outros. Por Mauro Henrique Toledo

Pergunto: como atua em seu aprender relacional diário? Gerencia, ajuda ou serve?

Gerenciar, ajudar ou servir? Estas são três maneiras distintas de se relacionar com os outros. Quando você ajuda enxerga os outros como fracos. Quando você gerencia enxerga aos outros como pouco capazes. Quando você serve enxerga os outros com pleno potencial. Ao servir você acredita no outro. 

O servir parte do pressuposto de que a natureza da vida é sagrada e que todos, nós e a vida, somos mistério com propósito desconhecido. Quando servimos cremos que pertencemos ao mistério da à vida e seu propósito. A partir desta perspectiva estamos todos conectados: todo sofrimento é meu sofrimento e toda alegria é minha alegria. A partir desta perspectiva o impulso de servir emerge de maneira natural e inevitável.

Servir é diferente de ajudar. Ajudar não pressupõe relação entre iguais. Quem ajuda vê os outros como mais fracos; vê os outros como mais necessitados. Quem ajuda, sem querer, pode pegar mais do outro do que dar ao outro. Ao ajudar pode-se reduzir a auto estima do outro; pode-se interferir na avaliação de valor que o outro tem de si e inclusive, pode confundir o outro na percepção de sua própria integridade.

Quando ajudo tenho consciência de minhas fortalezas mas não sirvo apenas a partir de minhas fortalezas. Sirvo a partir de todo o meu ser; sirvo a partir de minhas experiências como ser humano. Sirvo a partir de minhas limitações e assim, minhas feridas servem, minha sombra serve, meu lado escuro e desconhecido também serve. Ao servir minha dor passa a ser fonte de compaixão e minhas feridas passam a ser fonte de minha empatia.

Gerenciar e ajudar geram a distância entre as experiências próprias de cada pessoa. E não é possível servir a partir deste distanciamento. Só posso servir às pessoas com as quais me conecto profundamente. E essa conexão requer abertura, coragem e valentia. Servir exige confiar mais em minha humanidade do que em meus  conhecimentos, saberes e experiências.

Ao gerenciar interpreto o outro como pouco capaz e me afirmo arrogante. Ao gerenciar sou confiante de meus conhecimentos, porém não enxergo a totalidade do outro, não percebo que toda a vida do outro está nele. Ao servir percebo que a vida misteriosa que habita em mim também habita no outro. Servindo posso conseguir que o outro se veja em sua completude e que adquira confiança em si.

Servir me faz consciente de minha completude como ser humano. Quando sirvo todo meu “eu” serve aos outros e à totalidade da vida. Servir é uma relação entre iguais: quando sirvo fortaleço aos outros e também a mim. A totalidade do outro e a minha passam a ter o mesmo valor. Gerenciar e ajudar esgota minha energia e com o tempo vai me consumindo. Servir, pelo contrário, me renova, me reafirma, me energiza. Ao ajudar experimento satisfação. Ao servir experimento gratidão.

Gerenciar e ajudar são estratégias para corrigir a vida. Quando servimos não há nada para corrigir, tudo está completo. Infelizmente e paradoxalmente quando alguém nos gerencia ou nos ajuda isso pode nos causar mais problemas. Apenas o servir é curativo.  

Inspirado e livre adaptado de Pablo Tovar em seu artigo espanhol sobre a importância do líder coach.

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