Artes, negócios, diversão e comportamento.

Quando conversar é uma arte!

Mauro Henrique Toledo escreve sobre a arte da conversação entre duas pessoas.

Ao conversar e interagir com outra pessoa somos inseridos num contexto de comunicação relacional. Temos então a oportunidade de explorar reciprocamente estados de ânimos, ideias, fantasias, imaginações, conceitos, valores, crenças, deduções, convicções, sonhos, dúvidas e interpretações que fazem de nós o ser que somos, influenciando a outra pessoa e sendo também influenciado por ela. Comunicação não é apenas transmissão ou troca de informações, é também ação presente e isso envolve o emocionar-se na linguagem.

A relação emocional pessoa-pessoa dá-se através do compartilhar de expressões verbais e não verbais, microssinais, pensamentos, falas, silêncios, inflexões, tonalidades, respirações, olhares e expressões gestuais.   A conversação diz muito à respeito de nossa particular e singular maneira de ser na relação com o outro quando se desenvolve sem preconceitos, sem prévia censura, sem necessidade de controle e manipulação e sem o compromisso de manter uma lógica racional linear. Ao conversar sem preconceitos, defesas, reservas, medos e receios expressamos e expomos nossa identidade, nossa forma de observar, julgar, interpretar e dar sentido à vida, já que ser é ser percebido pela outra pessoa.

Conversar permite-nos a inédita e interessante jornada do auto conhecer-se, de reconhecer a outra pessoa e criar assim, juntos, um momento especial de interação criativa espontânea. Ao nos mostrarmos disponíveis aceitando expressar e explorar reciprocamente achismos, narrativas do passado, análises do presente e imaginações sobre o futuro, podemos ter consciência (ou não) de como somos pessoas por nossos pensamentos, sentimentos, sensações e intuições. E todas essas percepções influenciam nosso comportamento enquanto somos interagindo. Refletir sobre o que sentimos enquanto conversamos é aprender a se relacionar melhor consigo, com a outra pessoa e com o mundo novo que se estabelece.

O estado de arte na conversação é mudar de um assunto a outro sem medo de perder a razão, sem medo de errar, de falar bobagem, de preocupar-se com o que a outra pessoa vai pensar; é pular de um tema a outro sem receio de aprofundar-se ou mostrar-se inteligente, sábio e pouco modesto; é ter permissão para interromper o raciocínio da pessoa para rir de alguma sua colocação curiosa ou engraçada; é permitir-se contar histórias ou inventar novas histórias estimulados por insights da outra pessoa; é atropelar as falas da outra pessoa de maneira gentil sem constranger ou agredir; é acrescentar ideias diferentes, diversas, incongruentes, cheias de graça, engraçadas; é ficar em silêncio e ouvir o que a outra pessoa tem para dizer; é ouvir o que a outra pessoa não consegue dizer.  É abster-se de querer controlar ou manipular os pensamentos e sentimentos da outra pessoa.

E quando tudo isso acontece de forma aleatória e livre vivemos a poesia da relação de um ser humano com outro ser. E quando tudo isso acontece de maneira improvisada imprevisível abraçamos a poesia do humano que existe em nós e no outro. Quando acontece assim o dois vira três, uma terceira nova história. Então é quando nos sentimos fazendo prosa e poesia juntos e sendo humanos juntos. Neste estado de conversar desaparecem os indivíduos controladores, estressados, formais, formados, formatados, “estatísticos” e surgem as pessoas criativas, seres que valorizam um ao outro em interação e que aprendem juntos. Neste interagir se vive a beleza da relação ética e prazerosa e se cria a nova e viva linguagem narrativa, fluente, ensejada na emoção do respeito e da paz amiga, cordial e amorosa.  

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