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Problema na escuta não é apenas por deficiência auditiva

Alzira Andrade reflete sobre a arte da escuta e sobre a aprendizagem da ação de escutar …

Atribuem ao filósofo Zenón de Citio a frase  “Temos duas orelhas e somente uma boca, justamente para escutar mais e falar menos” e minha percepção é que hoje se fala muito e se escuta pouco.

Na comunicação se dá demasiada importância ao que se fala. Por exemplo na área de vendas existe a crença que um bom vendedor tem que ter lábia, um discurso bem ensaiado, respostas preestabelecidas para as perguntas mais frequentes e argumentos para objeções dos clientes … este é um modelo que não leva em conta a escuta na conversação. E aí pergunta-se: qual é o real valor do comportamento de falar mais do que escutar?

Não existe relação com o cliente sem o ato de escutar. Se não escutamos o cliente (externo ou interno) e não nos conscientizamos de suas necessidades presentes e futuras, estamos deixando de fazer o nosso melhor.

Aprender a escutar é um dos principais desafios na formação de coach e é hábito que pode ser desenvolvido. Escutar não é ouvir. Ouvir é biológico, escutar é ouvir mais interpretar. Escutar é compreender e dar sentido ao que se ouve, procurar entender os sentimentos, as ideias e os pensamentos que não aparecem no discurso do nosso interlocutor.

Escutar de maneira ativa requer uma boa dose de empatia, estar preparado mentalmente para escutar de maneira atenta, demonstrar ao nosso interlocutor que o escutamos também através da comunicação não verbal. Escutar é também não julgar, atitude que requer atenção, respeito, aceitação e abdicação pelo menos momentânea de nossas pretensas “verdades”.

Convidamos você a realizar um exercício de escuta e praticar em sua próxima conversação: 

  • Olhe nos olhos do seu interlocutor, repita de vez em quando o que ele diz para não perder o fio da sua conversa. Demonstre sua atenção plena.

  • Caso sinta o impulso de terminar a frase de seu interlocutor, não faça, fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de dizer que com você aconteceu a mesma coisa, fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de dizer “o que você tem que fazer é…”, fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de dizer “não se preocupe, isso não é nada”, fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de contar sua história, não faça, fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de dizer “o que acontece com você é…” fique em silêncio.
  • Caso sinta o impulso de justificar o que ouve, não faça, fique em silêncio.

 

Quando sentimos esses impulsos não estamos escutando o nosso interlocutor, estamos dependentes de nossas conversas privadas, desta pequena voz interior com a qual conversamos frequentemente, por isso é importante conter esses impulsos. É uma prática que a princípio pode resultar um tanto engessada, porém é potente para melhorar e consolidar as relações. E se soubermos escutar atentamente interagindo com perguntas que considerem a empatia, receberemos informações preciosas, verbais ou não verbais.

Fonte: Adaptação Teatrês sobre texto de Rafael López no site

 

 

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