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Tempo emocional e as nossas escolhas.

Como interpretar o tempo para ganhar mais qualidade de vida perdendo menos tempo! Por Mauro Henrique Toledo

A experiência de superação de limites e saída da zona de conforto em qualquer situação da vida deve ser valorizada. Vou me autoelogiar. Hoje, depois de três meses de academia, dia sim, dia não, consegui correr 4 mil metros na esteira. O mais interessante deste “resultado” é que faço um acordo de paz e merecimento com minha saúde e autoestima; isso por ter sido dedicado, disciplinado, constante, não preguiçoso e comprometido com as metas que estabeleci e que continuarei a estabelecer de forma saudável. De forma saudável quer dizer: metas que respeitem minha condição física, já que não tenho mais folego para ser campeão da São Silvestre Oficial.

Mas ainda tem dias que acordo imbuído do arquétipo macunaístico (referência ao personagem do livro Macunaíma, aquele que vive dizendo deliciosamente – “Ai, que preguiça”). Mas aí, pensando nas questões da saúde geral, analiso racionalmente a relação causa-efeito das melhorias, especialmente duas delas. Uma: percebo que estou menos estressado; pudera, deixo na esteira em forma de esforço e na camiseta em forma de suor o estresse, raivas, frustrações e tensões do dia. Duas: percebo que penso melhor, porque durante a prática posso filosofar, refletir sobre problemas, dúvidas e apurar ideias, enquanto respiro com qualidade e eficiência.

Hoje, enquanto melhorava meu tempo na corrida, filosofava sobre … o tempo.  Penso que tempo não é para ter, tempo é para ser. Muita gente diz não fazer determinadas coisas na vida por não ter tempo. Dizem até precisar comprar um relógio de 36 horas, como se o tempo fosse algo que estivesse fora da gente, como se fosse uma instância além de ser. E aí o “não ter tempo” vira desculpa para o “não fazer” e para não se comprometer com o que deve ser feito. Ser no espaço-tempo é escolher o que fazer e nos comprometer com as escolhas. Isso nos leva a sermos responsáveis com nossas ações, valorizando quem somos, o que fazemos e as relações de compartilhar o mesmo tempo comum a todos. 

E na relação conosco e com os outros entra outra noção de tempo, a do tempo emocional. Aquele espaço-tempo da percepção da convivência, quando criamos a narrativa de nossa vida compartilhando informações, experiências e emoções. Creio ser importante valorizar o tempo presente quando somos e estamos sendo com outros. É nesse espaço-tempo presente em comum que co-criamos nossa história que será memória valiosa. É nesse espaço-tempo presente que também construímos o futuro que está por vir. Futuro que já está sendo com a qualidade das nossas escolhas no tempo que o tempo é. 

“Tão bom contar com você e ver que tudo é na relação de ser”.

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