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Quem é o culpado?

Alzira Andrade faz breve reflexão sobre territórios mentais, “culpa” e “responsabilidade” a partir de trecho de entrevista do professor Evandro Vieira Ouriques.

Em meio a tantas aberrações e violências que temos vivenciado presencialmente ou à distância todos os dias, é praticamente impossível não nos sentirmos ameaçados, intranquilos, tomados por uma tristeza intrínseca. A pergunta que brota é: Quem é o culpado?

Resolvi compartilhar o pensamento do Professor Evandro Vieira Ouriques que brilhantemente discorre a esse respeito em entrevista a Marcus Tavares para a Revistapontocom.

- “Este aspecto é decisivo. Quem é o culpado? O fato de se fazer esta pergunta já mostra o vazamento do paradigma judaico cristão que está na base da maior parte dos territórios mentais, paradigma construído sobre o fundamento da culpa e do pecado.

Não há culpa. Há responsabilidade. Por isto tantos temem reconhecer falhas, pois as entendem como pecados. Daí ser sistêmica a irresponsabilidade pessoal e social e a exteriorização da responsabilidade na direção da outra pessoa, do governo, da classe dominante, da empresa, do vizinho, da mulher, do patrão, do empregado, dos pobres etc. É este outro que passa a ser “o”culpado.

Basta ver como a mídia produz a cada dia um ‘judas’ para ser malhado por todos. Na atual Europa, os ‘culpados’ seriam os “gastos públicos”, como foi aqui no Brasil na década dos 90.

Quando em verdade o que está ocorrendo é simplesmente o resultado da cobiça e da indiferença, por meio da vaidade.

Para que possamos viver de fato nas ordens da reciprocidade e da lei, é imperativo desfazer-se desta onipotência, que faz com que se acredite que tudo que é bom é seu por direito e que o mal está sempre no outro e fora de si.

Como uma vez disse Joel Birman: que tudo o que é prazeroso está dentro do sujeito. E tudo aquilo que é desprazeroso está na sua exterioridade.”

Portanto nos resta rever os nossos valores, ficar atentos aos nossos territórios mentais, olhar para nosso interior e nos perguntar: – qual é a nossa contribuição para que determinado acontecimento nos seja favorável ou não?

Obs.: Clique aqui para acessar a íntegra da entrevista do professor Evandro Vieira Ouriques.

 

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