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Compromisso assumido no virtual não tem valor?

Será que um compromisso assumido virtualmente tem menos valor que um compromisso assumido fora do ambiente virtual? Por Mauro Henrique Toledo

Entre tantas utilidades e inutilidades, o Facebook tem divertido, ligado e informado pessoas. Faço uso com parcimônia em minha página pessoal, evitando postagens excessivas e selecionando conteúdos interessantes, pra mim e face-amigos. Faço uso estratégico e educativo na página profissional Teatrês, postando reflexões sobre comunicação comportamental e nossa agenda de cursos e ações corporativas. Faço uso cultural em minha página Mauai, músico, divulgando conteúdos de artes várias que aprecio e meu novo cd e show. E na página convite para eventos que crio no facebook, um fato comportamental curioso me chama a atenção…

A página criada aparece com três opções de respostas aos convidados: 1 – Participar; 2 – Talvez ou 3 – Recusar. Considerando a normalidade dos que não tem interesse, dos que não podem ir e dos que não acessam o facebook com frequência, há aqueles optam por marcar 1 – Participar. E temos então, dois tipos de convidados que confirmam presença. O primeiro tipo: os que moram em outras cidades, cuja presença é absolutamente improvável, mas que confirmam participar. Por que? Por impulso, solidariedade, bondade, compaixão, amizade, sacanagem, incompetência tecnológica, entre outros.  

E tem o segundo tipo, esses, sim, dignos de análise comportamental menos superficial. São os que moram onde o evento acontece, confirmam participar e simplesmente não comparecem. Tinham duas opções: 2 – Talvez e 3 – Recusar, mas desconsideram o compromisso assumido virtualmente. E sua confirmação antecipada estimula o organizador a entrar em contado e ouvir frases do tipo: “- Estarei lá”; – “Vou levar amigos”; – “Vai ser lindo te rever”;  – “Separa a cerveja, amigo!” A intenção é maravilhosa, mas além de não comparecer, não entram em contato depois para informar o por que da ausência.  

Todos temos imprevistos na vida, se a decisão de não ir se deu em cima da hora por algum motivo, o ausente podia enviar uma mensagem, tipo: “- Não vai dar, to cansado”; “- Furou o pneu do metrô”; “- Minha tia faleceu”. Qualquer desculpa vale para não deixar o organizador preocupado, mesmo que uma gentil mentirinha. E caso não se lembre de avisar no dia seguinte, por que não entra em contato após o evento? A pessoa compromete-se virtualmente e simplesmente esquece que assumiu o compromisso. Claro que é um direito, mas é preciso refletir sobre este modo de comportar-se e suas consequências.

Na vida fora do virtual, compromisso tem a ver com promessa. É comum a pessoa que promete e não cumpre ser julgada por seu comportamento, criando uma imagem pública de não ser digna de confiança.  Isso não significa que quem promete não possa mudar de ideia depois de analisar que a promessa não poderá ser cumprida. E caso tenha surgido algum imprevisto para não cumprir o prometido, existem justificativas e o famoso pedido de desculpas, que mesmo que não seja aceito, considera o outro na relação e diminui o mal-estar que se estabeleceu.

Não creio estar exagerando nesta reflexão e mais, queria saber a sua opinião sobre o assunto. Pergunto? Será que um compromisso assumido virtualmente tem menos valor que um compromisso assumido fora do ambiente virtual? Será que o fato de clicar “Participar” no virtual não tem a importância de um compromisso assumido cara a cara, olho no olho? Será que estes ambientes, virtual e real, permitem diferentes posturas comportamentais de comprometimento?

Será um prazer contar com seu comprometimento virtual sobre esta questão. Ou, não, se assim você decidir. 

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