Artes, negócios, diversão e comportamento.

Da vida do palco para o palco da vida!

Como a arte do teatro contribui para a arte de bem comunicar-se e do melhor relacionar-se. [By Mauro Henrique Toledo]

A palavra “drama” em grego significa ação. No teatro, quando falamos de drama estamos nos referindo à ação que ocorre na cena. E ação tem a ver com conflito, com razões que se opõem. Simplificando: um personagem, o protagonista, quer alguma coisa e o antagonista tenta impedir que ele consiga o que quer. Nesta situação fictícia dramática o desejo do protagonista e o obstáculo (representado pelo antagonista) estão em conflito; e a situação dramática só vai se resolver quando um deles ceder, ou sumir, ou morrer. Na obra de ficção estes personagens estão envolvidos física, racional e emocionalmente e o resultado do “embate” entre eles está diretamente ligado à idéia central da obra, ao que o autor quer nos deixar como mensagem.

Na vida, o nosso drama diário está carregado de desejos (nossos desejos e objetivos) e de obstáculos (as dificuldades que estamos enfrentando ou que iremos enfrentar para realizar os nossos desejos e objetivos, que podem estar em nós e também nos outros). Como é mais fácil mudar o que está em nós do que mudar os outros, devemos estar criativa-mente atentos ao que nos acontece em uma ação (ou fato) em que estejamos envolvidos.

Em uma situação real é preciso estimar, pesar, avaliar o que nos envolve de “fato”. Devemos evitar interpretar ou imaginar seus conteúdos com julgamentos precipitados, preconceitos e emoções impulsivas. Devemos e podemos refletir sobre as informações e impressões que recebemos e verificar nossos sentimentos em relação ao que nos causa certo desconforto. Este desconforto pode estar relacionado à quebra da imagem que fazemos de nós mesmos, e que é apontado pelo outro na tentativa de comunicar-se. Portanto, o conflito começa quando o que imaginamos para nós está sendo questionado pelo outro. Devemos então ficar mais atentos à nossa ação e reação neste momento e com calma argumentar à ação do outro, explorar com diálogo nossas próprias convicções, tentando também nos colocar no lugar da outra pessoa (empatia).

Esta atenção criteriosa ao que percebemos “de fato”, à imagem que temos de nós mesmos e às palavras e impressões que nos chegam por intermédio dos outros é fundamental para nos fazer crescer como pessoas, e também para que entendamos como administrar os conflitos. Devemos conhecer o protagonista que mora em nós, o que ele quer. E devemos receber os antagonismos da vida, sem julgar a nós e ao o outro; sem criticá-lo, buscando compreender sua alma, permitindo e ajudando que ele também possa expor seus pontos de vista. Este feedback é importante para fazer correções em nossas metas, ou para defendê-las com mais paixão, ganhando estabilidade em nosso desenvolvimento pessoal. A esse comportamento podemos dar o nome de flexibilidade.

A comunicação saudável depende deste desenvolver de redes sociais flexíveis cada mais inteligentes, argumentativas, fundamentadas em evidências racionais e emocionais, o que envolve generosidade, amor, autoconhecimento, conhecimento, sensibilidade, compaixão, empatia, paciência, estudo e muita criatividade. Nossa ação diária é um palco perfeito para o aprimoramento destas nossas habilidades intrapessoais e interpessoais, onde a idéia central como autores e escritores de nossas próprias vidas é fazer uso de toda a nossa capacidade cerebral, física e espiritual para melhorar a qualidade das relações humanas, em busca de objetivos saudáveis e prósperos para toda a comunidade. Ao diálogo, ou a intolerância, a guerra e “às armas”.

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