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Como o preconceito e a falta de flexibilidade podem causar estragos à reputação de uma empresa. Por Mauro Henrique Toledo

Recentemente um amigo meu, empresário, depois de relutar, inscreveu-se para um curso de clown, um curso de palhaço a ser feito com um professor conhecido meu, que infelizmente dava aula numa escola que eu não conhecia. Já saberão por que infelizmente…

Meu amigo pagou 50% da reserva de vaga e há três dias do início um compromisso de negócios o obrigou a cancelar. Avisou o atendimento e recebeu um e-mail burocrático notificando que perdera o curso e também o valor pago pela inscrição. Alegaram cláusula no recibo de pagamento que previa a penalidade em caso de desistência. Porém, ele não recebeu nenhum recibo e na ficha de inscrição nada constava da “tal regra de não-devolução”. Pensou ele: – “Isso não foi nada engraçado, nem simpático, ainda mais vindo de um curso de palhaços”.

Sem perder o bom humor, meu amigo enviou e-mail ao atendimento expondo o que estava errado e provando. E sugeriu que o valor pago adiantado fosse opção para que ele se inscrevesse na próxima turma, e, caso não comparecesse, aí sim, perderia o valor pago. Acreditava ele ser uma proposta justa e simpática, já que as razões alegadas para a não-devolução não tinham fundamento. E esperou, esperou um mês e nada de resposta.

Meu amigo achou o email do professor que daria o curso, reclamou com ele e o professor pediu explicações ao atendimento. Recebeu então e-mail do atendimento, pasmem, que o acusava de falta de ética por ter falado diretamente com o professor. E o texto ainda afirmava com arrogância: “a nossa relação com os artistas que fazem cursos não é de “negócios”, não é de professor para cliente, e sim de artista para artista”. E pediram a conta bancária para devolver o dinheiro.

Enquanto me mostrava o e-mail (sim, tudo registrado), dizia: – “Isso daria uma bela briga no procon. Afinal, deviam anunciar “curso só para artistas” e fazer de graça. E irônico, emendou: – Mas não farei isso, eles são artistas, não fazem negócios e vão me devolver o dinheiro. Devem achar que assim me sinto menos palhaço”. E riu de sua própria ironia.

Este é um exemplo de como o preconceito, a falta de flexibilidade e o desentendimento do “negócio” podem prejudicar uma empresa. Lamento acontecer num curso de clown, arte que admiro e que indico aos meus clientes. E que continuarei indicando, porém não mais nessa escola. Criou-se em mim certo pré-conceito desse atendimento que não teve a menor graça.

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